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domingo, 11 de outubro de 2015

Sobre a obrigatoriedade de sermos felizes...

            A algum tempo venho pensando sobre esse tema, e não sabia muito bem o que escrever ou como me colocar sobre isso.
            Mas depois que uma bomba foi jogada na minha vida, onde tudo desapareceu, futuro, planos, sonhos; onde tudo é incerto. No meio dos destroços de uma vida e das feridas abertas que sangram sem cessar, enquanto junto o que sobrou e lambo os machucados, tenho tido muito tempo para pensar e observar as pessoas.
            E uma coisa ficou clara para mim. A obrigatoriedade de sermos felizes.
            Onde somos obrigados a sermos felizes, onde somos obrigados a estarmos sempre sorrindo, onde temos que ser sociáveis, amáveis e exibir nossas vidas nas redes sociais como se fossemos um circo, um espetáculo para o divertimento dos outros.
            Mas...
            Não podemos, nem por um segundo baixar a guarda, deixar a peteca cair, ficarmos tristes, nos sentirmos sozinhos, não podemos mais chorar.
            A tristeza se tornou uma aberração, uma doença, que precisa ser imediatamente tratada antes que se espalhe, você é colocado em uma quarentena, as pessoas passam a te vigiar, “você está bem?”, “procure um médico”, “vá ao psiquiatra”, “tome antidepressivos”, “isso não é normal”.
            Em meio a esse monte de vigias da quarentena, você só consegue sorrir e acenar. Enquanto sua mente grita NÃO, “NÃO, eu não estou bem”, “NÃO, eu não preciso de médico ou remédios”.
            Só quero dormir, chorar e esperar que isso passe. Porque vai passar, uma hora ou outra, a dor vai diminuir, são os altos e baixos da vida, e entender isso é fundamental. Mas entender não significa, que não doa, que não chore, que não sofra.
            A tristeza é algo humano, e se sentir humano, em uma sociedade de plástico, descartável, de aparências e mentiras. É até, de certo modo, bom.
            As pessoas se esqueceram dos altos e baixos, dos momentos de resguardo e reflexão. Estão ocupadas demais tentando incessantemente serem felizes, curtir a vida adoidadas, baladas, noitadas e é claro muita exposição e ostentação.
            Perdemos o direito de chorar. Perdemos o direito de estarmos cansados e estressados. Perdemos o direito de nos sentirmos sós.
            Nos esquecemos que para reconhecer a felicidade, a verdadeira felicidade (aqueles pequenos momentos que gostaríamos que durassem para sempre), precisamos saber o que é isso, precisamos conhecer a tristeza. Só poderemos abraçar a felicidade como uma amiga se soubermos conviver com o seu oposto.
            Nos dizem: “você tem que viver”, “que curtir”, “se divertir”, “a vida é muito curta”, “você só tem essa vida”, “tenha uma vida que valha a pena ser lembrada”, “tenha uma vida da qual você não se arrependa”. E em meio a tudo isso, nos esquecemos de VIVER de verdade, nos esquecemos de nos relacionarmos com as pessoas, nos esquecemos de ter amizades sinceras, nos esquecemos das pequenas coisas. Estamos muito ocupados correndo atrás da felicidade que não temos tempo de olharmos nos olhos das pessoas, de abraça-las, de perguntar se está tudo bem e ter paciência para ouvir o outro, ouvir de verdade.
            Tudo virou uma grande ostentação. Eu estou bem! Eu sou feliz! Eu me divirto pra caralho!
            Nessa obrigatoriedade de sermos felizes, nesse mundo de aparências, nos esquecemos ou perdemos o direito, de sermos humanos: de sofrermos, de chorarmos, de termos duvidas, de sermos inseguros, de não sabermos o que fazer, de nos sentirmos sós. E principalmente, nos esquecemos que também renascemos, que sobrevivemos, que damos a volta. Nos esquecemos o que é realmente viver.

            E se você que está lendo, se é que alguém vai ler até o fim, se você chegou até aqui e está ai pensando, tadinha ela está depressiva, coitada ela está sofrendo, ela precisa de ajuda... então você não leu direito, ou não entendeu o que quis dizer.


Akii

2 comentários:

  1. Olá achei esse blog por acaso, e caramba! Você escreve muito bem, achei lindo por aqui (apesar de não ter lido tudo). Estou impressionada com a sensibilidade das palavras você está de parabéns! Cai aqui de paraquedas literalmente mas acho que encontrei o lugar que procurava. Espero que você não tenha deixado de lado esse blog maravilhoso, eu vi que não teve postagem muito recente, espero que leia esse comentário e saiba que admiro a forma que descreve as coisas e não desista daqui eu adorei seu blog ��

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    1. Não sei se algum dia vc vai voltar aqui, ou vai ler isso... mas gostaria de deixar registrado o quando me senti honrada com seu comentário, nunca escrevi nada esperando algo: elogios, comentários, nada. Escrevo para por pra fora coisas que ficam martelando na cabeça, mas vc me aqueceu por dentro, obrigado por perder um pouco do seu tempo aqui, espero ter tornado alguns segundos do seu dia prazeiros. Vc com certeza fez isso com os meus.

      Akii

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"Sou felizz e não admito que ninguém me acorde." (Martha Medeiros)

“Na vida, apenas uma coisa é certa, além da morte e dos impostos. Não importa o quanto você tente, não importa se são boas suas intenções, você cometerá erros. Você irá machucar pessoas. E se machucar” (Meredith Grey - Grey's Anatomy)