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domingo, 17 de junho de 2012

Um ano sem ele...




Hoje faz um ano que meu pai faleceu.
Um ano sem brigas, um ano sem encheção de saco, um ano de paz.
O que eu temia esta acontecendo, aos poucos as coisas ruins que aconteceram vão sumindo da memória e dando lugar as poucas lembranças boas que tenho dele.
Aos poucos o ódio vai sendo substituído pela saudade. Não vou ser assim tão orgulhosa e dizer que não senti a falta dele. Algumas coisas simbólicas faltaram este ano.
Faltou a ligação dele no meu aniversário, faltou ele dizendo “- Meus Parabéns, que Deus te abençoe, Fulano, Sicrano e Beltrano mandaram abraços.”
Faltou o abraço dele no fim de semana seguinte, me dando parabéns de novo.
Faltou ele me cumprimentando por ter passado no concurso, fazendo cara de quem não tava nem ai, mas que lá no fundo eu saberia que estava orgulhoso.
Faltou ele na Páscoa enchendo o saco.
Faltou ele no Dia das Mães se acabando de comer lasanha;
Faltou ele num domingo qualquer reclamando que tínhamos comprado sorvete de chocolate de novo, e ele queria napolitano, como se napolitano também não tivesse chocolate.
Faltou ele esquecendo o aniversário da mãe de novo, ela fazendo cú-doce e ele tentando agrada-la depois.
Faltou a ligação dele no aniver do mano.
Faltou a gente indo passar o ano novo com ele, faltou ele de ressaca, esquecendo de ir nos buscar no ponto e nós tendo que andar 3 km a pé  até chegarmos a casa, que já estaria cheia de gente preparando o almoço do dia 1º. Faltou ele fazendo cara de ‘cachorro que fez xixi no tapete’, por ter nos esquecido, faltou a gente se matando de rir disso. Faltou a folia, a festa e a bagunça desse dia.
Faltou o abraço dele no Natal, o churrasco que só ele sabia fazer.
Faltou o truco nos fins de semana, faltou ele tentando roubar, faltou ele ficando bravo quando perdia pra gente.
Faltou ele jogando futebol com o mano.
Faltou ele reclamando que a grama estava alta demais, que o quintal estava bagunçado.
Faltou ele trazendo alguns bicho pra gente criar, ovelha, pássaro, cachorro, ou algum animal esquizito que ele tenha achado bonitinho.
Faltou ele fingindo que estava dormindo no sofá, só pra ouvir o que a gente estava falando.
Faltaram as brigas. Sim, eu também sinto falta delas.

As vezes fico pensando em todas as coisas que ele vai perder, por exemplo, ele não vai assistir a formatura do meu irmão ano que vem. Ele nunca vai conhecer a minha namorada, eu nunca vou saber a reação dele sobre o fato de eu gostar de meninas. Ele nunca vai ir ao meu casamento, nem ao do meu irmão. Ele nunca vai ver um filho se formar na faculdade. Ele nunca vai conhecer o netos (que ele com certeza mimaria e amaria com todas as suas forças).

A morte é triste por isso. Pelas coisas que nós perdemos.
Pelas coisas que de uma hora para a outra deixam de acontecer.
Pelo futuro que, num simples segundo, muda e deixa de existir.
E o que fica no lugar? Um imenso e eterno vazio.


Akira...

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"Sou felizz e não admito que ninguém me acorde." (Martha Medeiros)

“Na vida, apenas uma coisa é certa, além da morte e dos impostos. Não importa o quanto você tente, não importa se são boas suas intenções, você cometerá erros. Você irá machucar pessoas. E se machucar” (Meredith Grey - Grey's Anatomy)