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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sinto muito...

“Eu te amo. Mesmo negando. Mesmo deixando você ir. Mesmo não te pedindo pra ficar. Mesmo não olhando mais nos teus olhos. Mesmo não ouvindo a tua voz. Mesmo não fazendo mais parte dos teus dias. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. Mesmo não sabendo amar.”
Caio Fernando Abreu


 Primeiramente, peço desculpas por andar meio sumida, mas essa semana tem sido difícil.

Domingo foi dia dos pais e eu negligentemente deixei passar em branco.

Mas hoje a coisa esta mais foda que nunca e estou querendo um pouco de colo.

Hoje faz dois meses que meu pai faleceu, e pela primeira vez estou sentindo a falta dele, domingo eu estava lendo um blog Jardins Abandonados em que a autora fala que esse também era o primeiro dia dos pais que ela passava sem o dela. Isso mexeu comigo, chorei muito.

Há dois meses eu venho ignorando a morte dele, fingindo que não era nada. Minha relação com meu pai sempre foi complicada, eu não gostava dele e ele não gostava de mim, passamos os últimos 20 anos nos ignorando mutuamente. Ele passava apenas os fins de semana em casa com a gente e fazia questão de torna-los um inferno. Quando ele ficou doente eu até disse pra Kaede “bem que ele podia morrer.”, dois dias depois ele morreu. No velório que chorei três vezes: quando o vi caixão; quando meu avô de 86 anos chegou chorando desesperado – nunca tinha visto ele chorar, ele já enterrou a primeira esposa, o filho mais velho, dois netos, um bisneto e agora meu pai – foi muito triste de ver a dor dele; e na hora em que ele foi enterrado, e eu estava tentando consolar minha mãe.

Depois disso não chorei mais. E os últimos dois meses, apesar do baixo astral do povo aqui de casa, tem sido realmente bom, sem mais brigas, sem mais enchesão se saco, sem mais pressão psicológica...

Mas essa semana me bateu uma tristeza tão grande, que eu estou fazendo de tudo pra não demonstrar.

O tempo todo me vem lembranças dos poucos e raros momentos em que fui feliz perto dele: de brincar de esconde-esconde; pega-pega (rsrs, quando era a vez dele pegar, a gente saia gritando em volta da casa “o pai é mãe, o pai é mãe, correeee...”, ele sempre se matava de rir); depois cresci e isso ficou cada vez mais raro, as vezes quando eu e meu irmão estávamos jogando bola, ele vinha e brincava um pouquinho; as varias vezes que jogamos truco, a bagunça que ele sempre fazia, todas as vezes que ele tentava roubar, e nunca admitia que um de nós ganhou dele no seu jogo preferido.

Não vou transformar meu pai num herói, e esquecer o horror que foi viver com ele, mas esse é o primeiro ano em que não fiquei apavorada pensando no que dar de presente, sempre tentando agradá-lo, e ele sempre recebia com uma careta, esse ano não teve careta, não teve abraço, nem beijo, não teve aquela constrangedora demonstração de afeto ao dizer “Feliz dia dos Pais”. Esse ano não teve nada.

Trabalhei o domingo todo, com uma puta enxaqueca (que só foi diminuir dois dias depois), tentando ignorar que era dia dos pais, até ler aquele post e desmoronar.

Comecei a pensar em tudo o que poderia ter sido, em todos os abraços não dados, os beijos, as demonstrações de carinho. Todos os “eu te amo” que eu nunca disse, todos os “obrigado” que nunca poderei dizer.

Esses são apenas os primeiros dois meses, dos eternos anos – roubados – que não poderei dizer ou fazer nada disso. No fundo eu sempre tive a esperança de um dia concertar as coisas entre nós, quem sabe quando ele fosse bem velhinho, aposentado, ele parece para dar um pouco mais de atenção a família, talvez um belo dia nós dois sentássemos para conversar, uma conversa “da vida toda” e no final nos entendêssemos...

Mas não. Ele morreu aos 49 anos, com dor, sem a família por perto, comigo o odiando e desejando sua morte.
Sem nunca ter tido uma demonstração de carinho minha.

Hoje eu daria tudo pra ter 5 minutos com ele e poder dizer o quanto o amei em silencio, o quanto sinto sua falta, o quanto eu gostaria que as coisas tivessem sido diferentes entre nós.
Sinto muito não ter dito isso quando tive tempo...

Akira

6 comentários:

  1. Meu amor, queria poder te dizer alguma coisa mas eu não sei como você se sente.

    Mas... você teve um pai. Teve alguém pra comprar presente. Teve alguém pra brincar com você, teve alguém pra quem dizer "Feliz dia dos pais".
    Eu nunca tive isso, o meu pai sempre foi ausente. Minhas únicas lembranças de algum momento em que eu senti que tinha um pai foi quando meu padrasto jogava Bomberman comigo 5 anos atrás.

    Infelizmente seu pai te deixou muito cedo, mas você teve 20 anos pra viver com ele.
    Eu não quero pagar de vitima, mas não tive meu pai por nem 2 meses. Quando passei 1 semana com ele o filho adotivo dele arruinou tudo. Então acho que nunca vou saber a sua dor porque eu nunca tive isso.

    Eu sei que tenho sido extremamente egoísta com você, e tudo que posso te dizer é que eu te amo. E que você pode desabafar comigo se quiser, porque eu sempre vou querer ouvir o que você tem pra dizer, porque você é tudo pra mim.

    Kaede Cardoso Polli

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  2. Akira. tb não tenho mais meu pai vivo, aqui, pq acredito que ele esta vivo em outro lugar...
    Primeiro se perdoe... somos humanos cheios de defeitos e depois perdoe ele... apesar de ser seu pai ele tb era um humano cheio de defeitos, temos a mania de achar que nossos pais tem que ser perfeitos, mas não são (São crianças como vc, o que vc vai ser quando vc crescer, ja dizia Renato Russo)...
    Diga para ele em pensamento tudo o que vc quer dizer.. acredito muito que ele esta ouvindo...

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  3. Ai amiga...
    Eu te entendo em cada ponto e cada vírgula...passei o cão com o meu pai tb!
    Só lembro tb de ser feliz com ele qd era criança e pequena.
    Se te contar o tudo q passei com ele vamos chorar juntas.
    Imagino que esse seja o pior dos dias dos pais.Mas passa.Acredite.
    Sobre perdoar o q ele te fez acho q só depende de vc.Eu não consigo até hj perdoar o meu pai.Ele morreu de câncer,sozinho e não pude me despedir dele.O mesmo q te aconteceu no velório eu vi tb...meu avô com + de 80 anos entenrrando o filho e chorando.Foi o q mais me doeu.E qd fecharam o caixão...q coisa medonha.
    Reze.Por ele.Por vc.É a única coisa que posso te aconselhar.E a Kaede tem razão.Ele vai te ouvir.De onde estiver.
    Fica em paz e se precisar...chama,tá?
    Beijo enorme!

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  4. Não sei como me sinto, tendo instigado esse desabafo em texto. Acho que extremamente lisonjeada, definiria.
    Agradeço por suas palavras, aqui e no 'Jardins Abandonados'.
    A cada pontuação, foi como enxergar sua alma atravez das palavras.
    Tenha de certo que ele já te perdoou. Que ele esta tranquilo na Paz do Senhor e vc, só tem q acalmar esse coração ainda amargurado. Sei q não é fácil esquecer, mas é preferível superar para não causar-lhe dor daqui pra frente.
    Tbm chorei pouco no velório de meu pai, ainda hj, devo ser a mais centrada quando esse é o assunto. Mais isso não diminui minha dor.

    Kaede, tens mais compreensão e atenção. Percebi nesse pouco, uma relação parecida com a minha na epoca. Minha ex tbm não soube como me dar o devido consolo. Mas não há nada melhor do q o amor evidente, para ajudar a superação.

    Esses desabafos são fundamentais para conseguir seguir e aos poucos, conseguir perdoar.

    Bjão

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  5. Cheguei ao seu blog em busca de um conforto porque foi duro passar pela primeira vez o dia dos pais sem o meu. Ele faleceu no dia 19 de junho. Se você sente flta do seu mesmo tendo tido problemas com ele a vida toda, imagina como me sinto sem o meu que foi o pai mais maravilhoso que eu podia ter tido. Se você sente a falta dele, é porque no fundo o amava, e tenho certeza que ele se foi sabendo disso, apenas não houve tempo para uma boa conversa. Fique em paz.

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  6. Meninas, como sou grata pelo carinho de vocês, não tenho palavras pra expressar o quão honrada fiquei ao ler seus comentários.

    Kaede: Vida, te amo muito, obrigada por estar comigo nesses dias chuvosos. Obrigada por ter sido tão compreensiva, mesmo não entendendo direito o que esta se passando comigo.
    Te amo pequena.

    Marifete: Obrigada. É difícil perdoar, e´tudo tão recente. Mas eu sei que isso vai acontecer, algum dia. Eu sempre achei que jamais fosse sentir falta dele.. E aqui estou eu abrindo meu coração e admitindo. Sinto a falta dele.
    Mas tenho fé no tempo, ele é um grande mestre, e um dia sei que isso tudo vai passar ou diminuir.

    Afrodite: Querida, como tudo isso é triste, né? Nunca pensei que pudessemos ter tanto em comum, infelizmente.
    Obrigada por suas palavras, obrigada pelo carinho, por dividir isso comigo. Por tudo.

    Nicolly: Gata, a vc eu não sei o que dizer. Primeiramente, muito obrigada, por mesmo involuntariamente ter me feito parar pra refletir sobre tudo que tem acontecido, por ter me amolecido um pouquinho, por ter me feito admitir coisas que eu jurei jamais sentir.
    Obrigada.

    Um grande beijo para todas
    Akira

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"Sou felizz e não admito que ninguém me acorde." (Martha Medeiros)

“Na vida, apenas uma coisa é certa, além da morte e dos impostos. Não importa o quanto você tente, não importa se são boas suas intenções, você cometerá erros. Você irá machucar pessoas. E se machucar” (Meredith Grey - Grey's Anatomy)