Não julgue o que está escrito aqui por "Bom" ou "Ruim"...
Não são só palavras... São sentimentos!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sobre falar...

Sábado andando por uma loja de quinquilharias, sem buscar nada, só olhando distraída, eis que surge uma prateleira, escondidinha, cheia de pó e com vários livros jogados, isso mesmo jogados no meio da sujeira. E como uma boa maníaca por livros tiver que ir verificar, e no meio de toda aquela tralha, ele brilhou para mim... “Doidas e Santas” da deliciosa Martha Medeiros. Não pensei duas vezes salvei-o de lá. E foi com imenso prazer que devorei-o em dois dias. É um livro de crônicas da autora, publicados em um jornal, que vai de 2006 a 2008. E encontrei vários textos que me tocaram muito e aqui vai um deles:
         
"Já fui de esconder o que sentia, e sofri com isso. Hoje não escondo nada do que sinto e penso, e às vezes também sofro com isso, mas ao menos não compactuo mais com um tipo de silêncio nocivo: o silêncio que tortura o outro, que confunde, o silêncio a fim de manter o poder num relacionamento. 
Assisti ao filme Mentiras Sinceras com uma pontinha de decepção - os comentários haviam sido ótimos, porém a contenção inglesa do filme me irritou um pouco. Porém, nos momentos finais, uma cena aparentemente simples redimiu minha frustração. Embaixo de um guarda-chuva, numa noite fria e molhada, um homem diz para uma mulher o que ela sempre precisou ouvir. E eu pensei: como é fácil libertar alguém de seus fantasmas e, libertando-a, abrir uma possibilidade de tê-la de volta, mais inteira. 
Falar o que se sente é considerado uma fraqueza. Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade se instala. Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus. E não é este tipo de nudez que nos atrai.
Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente, se sabe.
 Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados.
Tão banal, não? 
E no entanto esta banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras. Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ela é - ou foi - importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente. 
A maioria das relações - entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos - se ampara em mentiras parciais e verdades pela metade. Pode-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade. Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial. E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil. Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois. 
Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós - e este "a nós" inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou. Somos sádicos e avaros ao economizar nossos "eu te perdôo", "eu te compreendo", "eu te aceito como és" e o nosso mais profundo "eu te amo" - não o "eu te amo" dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o "eu te amo" que significa: "seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo".
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimí-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas."


Martha Medeiros, 02 abril de 2006


Akii

domingo, 11 de outubro de 2015

Sobre a obrigatoriedade de sermos felizes...

            A algum tempo venho pensando sobre esse tema, e não sabia muito bem o que escrever ou como me colocar sobre isso.
            Mas depois que uma bomba foi jogada na minha vida, onde tudo desapareceu, futuro, planos, sonhos; onde tudo é incerto. No meio dos destroços de uma vida e das feridas abertas que sangram sem cessar, enquanto junto o que sobrou e lambo os machucados, tenho tido muito tempo para pensar e observar as pessoas.
            E uma coisa ficou clara para mim. A obrigatoriedade de sermos felizes.
            Onde somos obrigados a sermos felizes, onde somos obrigados a estarmos sempre sorrindo, onde temos que ser sociáveis, amáveis e exibir nossas vidas nas redes sociais como se fossemos um circo, um espetáculo para o divertimento dos outros.
            Mas...
            Não podemos, nem por um segundo baixar a guarda, deixar a peteca cair, ficarmos tristes, nos sentirmos sozinhos, não podemos mais chorar.
            A tristeza se tornou uma aberração, uma doença, que precisa ser imediatamente tratada antes que se espalhe, você é colocado em uma quarentena, as pessoas passam a te vigiar, “você está bem?”, “procure um médico”, “vá ao psiquiatra”, “tome antidepressivos”, “isso não é normal”.
            Em meio a esse monte de vigias da quarentena, você só consegue sorrir e acenar. Enquanto sua mente grita NÃO, “NÃO, eu não estou bem”, “NÃO, eu não preciso de médico ou remédios”.
            Só quero dormir, chorar e esperar que isso passe. Porque vai passar, uma hora ou outra, a dor vai diminuir, são os altos e baixos da vida, e entender isso é fundamental. Mas entender não significa, que não doa, que não chore, que não sofra.
            A tristeza é algo humano, e se sentir humano, em uma sociedade de plástico, descartável, de aparências e mentiras. É até, de certo modo, bom.
            As pessoas se esqueceram dos altos e baixos, dos momentos de resguardo e reflexão. Estão ocupadas demais tentando incessantemente serem felizes, curtir a vida adoidadas, baladas, noitadas e é claro muita exposição e ostentação.
            Perdemos o direito de chorar. Perdemos o direito de estarmos cansados e estressados. Perdemos o direito de nos sentirmos sós.
            Nos esquecemos que para reconhecer a felicidade, a verdadeira felicidade (aqueles pequenos momentos que gostaríamos que durassem para sempre), precisamos saber o que é isso, precisamos conhecer a tristeza. Só poderemos abraçar a felicidade como uma amiga se soubermos conviver com o seu oposto.
            Nos dizem: “você tem que viver”, “que curtir”, “se divertir”, “a vida é muito curta”, “você só tem essa vida”, “tenha uma vida que valha a pena ser lembrada”, “tenha uma vida da qual você não se arrependa”. E em meio a tudo isso, nos esquecemos de VIVER de verdade, nos esquecemos de nos relacionarmos com as pessoas, nos esquecemos de ter amizades sinceras, nos esquecemos das pequenas coisas. Estamos muito ocupados correndo atrás da felicidade que não temos tempo de olharmos nos olhos das pessoas, de abraça-las, de perguntar se está tudo bem e ter paciência para ouvir o outro, ouvir de verdade.
            Tudo virou uma grande ostentação. Eu estou bem! Eu sou feliz! Eu me divirto pra caralho!
            Nessa obrigatoriedade de sermos felizes, nesse mundo de aparências, nos esquecemos ou perdemos o direito, de sermos humanos: de sofrermos, de chorarmos, de termos duvidas, de sermos inseguros, de não sabermos o que fazer, de nos sentirmos sós. E principalmente, nos esquecemos que também renascemos, que sobrevivemos, que damos a volta. Nos esquecemos o que é realmente viver.

            E se você que está lendo, se é que alguém vai ler até o fim, se você chegou até aqui e está ai pensando, tadinha ela está depressiva, coitada ela está sofrendo, ela precisa de ajuda... então você não leu direito, ou não entendeu o que quis dizer.


Akii

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Sobre tudo e sobre nada

Sinto-me meio frustrada, estava cheia de planos, sobre a Toca, havia realmente me organizado, pelo menos uma postagem por semana, textos meus, textos de segundos, coisas legais, vídeos.

Mas cadê o tempo?

Me sinto cada vez mais sem tempo, e quando o tenho, não quero fazer nada além de ficar jogada no sofá, fumando, tomando café e assistindo algo bem inútil pra me distrair.

PUTA MERDA, QUE VIDA DE MERDA!

Tenho diariamente me perguntado o que aconteceu comigo, onde foi que me perdi. A alguns anos atrás eu nem sequer assistia tv, agora quanto mais inútil, sensacionalista, ou dramático melhor, tenho lido bem menos. Dos meus amigos, não restaram nem um, sério, nem um. Além do trabalho, não saio de casa, não converso com ninguém, o pessoal do trabalho (um bando de fofoqueiras e futriqueira) eu mal e porcamente dou bom dia.

O que restou foi um imenso vazio. Uma solidão que jamais imaginei ser capaz de existir.

Deixei de fazer tudo o que gosto, ler, ouvir boa música, a Toca. E por que? Pra que?

Eu não sei.

Sinto saudade de vocês, dos comentários, dessa interação humana, de saber que eu não sou a única.



Akii 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Reabrimos!

É com imenso prazer que dou está notícia para vocês: VOLTEI!
Depois de mais de um ano sem aparecer por aqui, muitas voltas e reviravoltas na minha vida, precisei dedicar um tempo para por as coisas em ordem.
Já havia até desistido da Toca, mas de uma forma surpreendente, venho sendo cobrada quanto ao abandono do blog, pessoas que eu nunca vi na vida, falando sobre a Toca, falando que conhecem o blog, e que sentiam falta das postagens.
Isso aos poucos foi me aquecendo por dentro. Sempre usei a Toca como uma forma de me expressar, de me divertir, distrair, falar umas besteiras, ler outras... mas nunca imaginei que tantas outras pessoas também a lessem, também se divertissem aqui. Sempre tive poucos comentários nas postagens e com isso sempre me imaginei passando as sombras na infinidade de blogs.
Mas a saudade apertou, e aqui estou eu, com as energias renovadas.
Seja todos e todas muito bem vindos de volta!

Abraços
Akii

domingo, 1 de junho de 2014

“Meu humor é ácido. Sou irônica, perco a paciência e o interesse em gente que não entende ironias, afinal, não entender ironias é a coisa mais broxante que existe. Tem gente que não gosta desse meu lado. Na verdade, tem gente que não gosta de nenhum lado meu. E agora eu estou entendendo que não tenho obrigação de ser quem todo mundo espera que eu seja. Já dá trabalho ser eu mesmo, imagina ser a pessoa que você quer?”
— Clarissa Corrêa.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Amor é não querer...

Você acha que sabe do amor? Adivinha só, você não sabe. Amor não é todas essas palavras bonitas que dizemos nos momentos bons. Amor não é fazer planos de um futuro perfeito. Amor não é um sorriso lindo ou um beijo compatível. Amor é arranhar a garganta engolindo todas aquelas palavras cruéis pra não machucar o outro. Amor é ver todos os planos escorrerem pelo ralo e não perder a esperança. Amor é chorar até não poder mais e incompatibilidade em muitas coisas. O amor não é bonito. Você pode viver sem o outro sim, você pode. Mas não quer. O problema é que você não quer. Amor é não querer.
— Stephanie S.

domingo, 27 de abril de 2014

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.
— Martha Medeiros

"Sou felizz e não admito que ninguém me acorde." (Martha Medeiros)

“Na vida, apenas uma coisa é certa, além da morte e dos impostos. Não importa o quanto você tente, não importa se são boas suas intenções, você cometerá erros. Você irá machucar pessoas. E se machucar” (Meredith Grey - Grey's Anatomy)